sábado, novembro 12, 2005

Lua-de-mel em Udaipur

Udaipur, uma das cidades que mais turistas chama ao estado do Rajastao, eh famosa pelo esplendido nascer do sol ah beira do Lago Pichhola. Aqui flutuam duas pequenas ilhas ocupadas na totalidade por um palacio de maraja cada uma. Chegamos na manha do dia 2 de Novembro. Depois de negociarmos um auto-riquexo (pequenas motas tipo Ape, cobertas, com espaco para o condutor e 2 passageiros, mas frequentemente apinhadas por 5, 6 ou 7 indianos), chegamos ao Gangaour Palace - o hotel onde conseguimos um quarto duplo com casa-de-banho e agua quente (o conceito de casa-de-banho aqui eh diferente do ocidental... noutro post hei-de explicar as diferencas). Mal assentamos arraiais, ponho-me a lavar roupa ah mao e estendo-o na corda que trouxemos connosco. O quarto transforma-se num acampamento de saltimbancos, mas gosto do cheiro da roupa lavada (com sabao Rim Extreme, uma especie de sabao azul e branco ca do sitio). O cheiro traz-me um bocadinho do conforto de casa.
A esta cidade afluem turistas de todo o mundo, mas os proprios indianos marcam uma presenca mais numerosa. Sobretudo os recem-casados, em busca de luas-de-mel calidas com paisagens adequadas a fotografias que se querem para a posteridade. Udaipur da-lhes tudo isso: da-lhes o lago e o sol ja referidos, mas da-lhes tambem o casario caiado de cores claras e murais pintados, com flores e arabescos. Estas mansoes, tipicas do Rajastao, chamam-se Havelis. Nos temos a sorte de o nosso Gangaour Palace ser um haveli com 250 anos de historias para contar. ha um patio interno e todos os quartos estao dispostos em torno desse patio com vista para o ceu de Udaipur.
Na cidade ha uma confusao continua, provocada por um movimento incessante de gente, motas, riquexos, bicicletas, carrocas, vendedores, pedintes, ocidentais vestidos ah indiano (mas com roupas que os proprios indianos nao vestem) e habitantes na sua lida habitual. Tudo a circular sem sentido nem nexo em pequenas estradas desenhadas em finas veias de alcatrao. Ha o tal po sempre no ar e uma neblina sobre o lago. Ha vacas pachorrentas e as vezes arrogantes (la porque sao sagradas...) e ha os bonequinhos que os locais fazem com os excrementos dessas mesmas vacas.
Pela primeira vez desde que pisei a India, sinto que estou a precisar de tempo para me ambientar e habituar ao sitio. As bermas ingremes, feitas valas em formas de esgoto, fazem-nos arriscar passadas no meio do transito. Eh desconcertante.
O Diwalli, que aqui se comemora de forma intensa e durante varios dias, faz-se sentir e ouvir sempre. As pequenas ruas estao engalanadas. O colorido eh desarmante e faz-nos esquecer tudo o resto. Encontramos altares em cada esquina, cada degrau, cada portao. As estradas estao cobertas de petalas de flores, amortecendo os passos descalcos das mulheres que, em procissao, visitam templos, fazem oferendas, colocam pequenos sinais vermelhos na testa. Elas vestem os seus melhores e mais ricos saris. Eles, trajando ah ocidental (sem cor nem brilho), ostentam com orgulho uma barba e cabelos ruivos de henne.
Nos aproveitamos Udaipur para comer bem. Reservamos mesa no hotel Taj Lake Palace (situado no palacio que ocupa uma das ilhas do lago) e decidimos que temos que comprar roupas na rua para nao fazermos ma figura naquele que eh um dos hoteis mais luxuosos de toda a India.
No quarto tomamos banho (gracas a Deus, trouxe a minha luva de esfoliacao... tao necessaria para arrancar este po do corpo) e vestimos as calcas novas e as tunicas. Vamos mais ou menos formosos e mais ou menos seguros... apanhamos o barco privativo do hotel e dai a nada ja estamos a ser recebidos com venias e salamaleques devidos a turistas endinheirados (e nao a estes tipos que so querem ir matar a barriga de miserias no buffet do hotel). Assistimos ao espectaculo de dancas e cantares locais (um suplicio la mais para o fim, com o rapaz do Rajastao a empilhar cantaros na cabeca ate comecar a suar em bica) e comemos ate fartar, repetindo as sobremesas umas 4 ou 5 vezes. As bebidas nao estavam incluidas... por isso, ficamo-nos por duas modestas cervejas Kingfisher (produzidas ca na terra).
Regressamos ao quarto que tem flores pintadas nas paredes brancas (eh o optimismo e a cerveja que me fazem ver branco no encardido). Nao sabemos bem se estamos preparados para o que ai vem: Agra. [AV]

4 Comments:

At 12:46 da tarde, Anonymous Sónia Ramos said...

"os bonequinhos que os locais fazem com os excrementos dessas mesmas vacas"?!! oh valha-me deus! anda uma "mae a criar uma filha" para assistir a espectaculos destes! na serra da estrela ja caiu neve neste fds. imagina so os bonecos, branquinhos, fresquinhos... :-)))

 
At 3:16 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Olha lá! Esses bonecos... não estarás a falar dos aglomerados de bosta que servem como combustivel? Há locais em que os espetam na parede para secar mais depressa....


DEUS!

 
At 7:18 da tarde, Blogger hector said...

A lídiazinha riu com essa da corda para estender roupa. Há que desenrascar! E o sabão rim extreme é demais :) e os bonequinhos de merdum também me parecem maravilhosos.

Força camaradas!!

 
At 6:46 da manhã, Blogger av_pm said...

DEUS
sim, de facto vimos os bolinhos espalmados que usam para combustivel, espalhados pelos ghats de Varanasi, quer nas paredes quer no chao, a secar ao sol. Mas estes de q a av fala eram mesmo bonequinhos - com a cara desenhada tipo :-) - com pernas e bracinhos.

 

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