Lisboa - Londres - Mumbai
30-31 de Outubro
Por ser repetente na India, o PM delegou-me uma tarefa que, na sua opiniao, eh impossivel: encontrar palavras para traduzir esta imensidao. Porque eh de imensidao que falamos, de facto. Aqui tudo eh grande, tudo eh muito, tudo eh demasiado. As cores, os cheiros, as pessoas, a religiao, a beleza, os sons, a pobreza, o caos, a porcaria. Tudo forma um todo. E eh a infima parte do todo que eu conseguir tocar, que tentarei desconstruir para depois tecer com palavras.
De Lisboa viajamos para Londres, onde chegamos por volta das 14h00. A ligacao para Mumbai esta marcada para as 21h35, pelo que percorremos o nosso terminal do aeroporto de Heathrow varias vezes de uma ponta a outra. aqui aprendo duas licoes que poderao ser uteis para o resto da viagem: 1) Nos aeroportos faz muito frio (por isso, eh conveniente levar o polar e procurar zonas comerciais onde o neon nos aquece); 2) Nunca aceitar pulverizacoes de perfume masculino oferecidas pelas meninas das promocoes das perfumarias (eu queria levar um cheiro ocidental para a India e acabei enjoada).
Quando nos encaminhamos para a nossa porta de embarque eh facil perceber que o destino eh a India. Quase toda a gente ah nossa volta eh indiana, muitos falam hindi e o aeroporto adquire um tom meio decadente. A bordo cheira a caril, ha refeicoes indianas, opcoes vegetarianas e passam filmes de Bollywood.
Chegamos a Mumbai por volta das 11h00 locais (dia 31/10). A primeira vez que respiro na India imagino que aquilo que eu sinto deve ser parecido com a primeira inspiracao de um recem-nascido. O ar que engulo eh quente, denso e cheira a tropicos (ou aquilo a que eu sempre pensei que deveriam cheirar os tropicos): mistura acre de terra e verde cheirada dentro de uma estufa de fetos.
Depois das extensas burocracias, necessarias para entrar no pais, mesmo para quem traz visto valido, apanhamos um taxi pre-pago com destino ah estacao de comboios.
O transito eh caotico e, no caminho, damo-nos conta de uma cidade que eh a replica exacta do taxi em que circulamos: degradada, desengoncada, capaz de ruir a qualquer momento. Na berma da auto-estrada correm esgotos a ceu aberto, mas ha gente que nos sorri e acena e ha quem, indiferente ao caos que o circunda, se vire para o lado na sesta que parece dormir ha uma vida inteira.
Nas fachadas dos predios veem-se anuncios a telemoveis, empresas de telecomunicacao e centros comerciais.
Somos obrigados a pernoitar em Mumbai (nao temos ligacao no proprio dia para Udaipur) e ficamos hospedados no Salvation Army (um quarto aceitavel mas uma comida capaz de desafiar qualquer imunidade que as vacinas nos conferiram antes da viagem).
A noite, apercebemo-nos que ha um festejo a decorrer na cidade. So mais tarde ficamos a saber que comemoram a vespera do Diwalli (assinalado este ano no dia 1 de Novembro). ESta data marca o periodo festivo dos hindus e o inicio do ano novo. Ah semelhanca do que fazem os ocidentais no Natal, tambem eles iluminam as casas, comem doces especificos, decoram as ruas e vestem roupas novas.
Vaguear em Mumbai eh como olhar, alternadamente, para a frente e verso de um postal ilustrado. Pitoresco e degradante. Belo e angustiante. Confuso e silencioso. Mais tarde, voltaremos ca e teremos oportunidade de sentir melhor aquela que eh a maior cidade da India, com cerca de 14 milhoes de habitantes. Eh daqui que deveremos partir, no dia 12 de Dezembro, para Bangkok. [AV]
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